Entrevistalhaça da semana

Nesta quinta-feira, apresentamos uma entrevista com o fundador da Associação Viva e Deixe Viver, Valdir Cimilo, que fala um pouco sobre a Humanização Hospitalar

foto_capa1_1Como está o Brasil em humanização hospitalar?

Verificamos que Brasil está defasado no mínimo em vinte anos. Há vinte anos em outros países civilizados a preocupação com o bem-estar prolongado dos consumidores, do cliente, já é uma realidade. O problema é mais aparente nos hospitais públicos. O paciente desses estabelecimentos não é considerado um cliente pelos laboratórios, pelas empresas produtoras de materiais hospitalares ou pela própria instituição hospitalar. Certamente porque, neste caso, o cliente não é o paciente, e sim o governo que paga as contas e que, por pagar muito menos, não merece consideração. Com a maior conscientização dos seus direitos, a sociedade passou a cobrar desse governo, através de fóruns, conferências, debates etc., um atendimento de qualidade em seus hospitais. Não basta ter a melhor tecnologia e equipes de alto padrão. Não bastam arquitetura avançada e paredes coloridas, se o cliente, o paciente, continuar a ser apenas uma doença.
Em 200l, atendendo a esse chamado, e baseado em todos esses debates, o governo, através de Medida Provisória, instituiu o Programa Nacional de Humanização da Assistência Hospitalar (PNHAH), projeto de humanização da atenção e da gestão em saúde, que passou a ser uma política nacional e recebeu a denominação de HumanizaSUS em 2003.

O que seria humanização hospitalar?

Humanizar não diz respeito apenas ao trato do paciente. Refere-se também a todas as pessoas que entram em contato com ele: médicos, enfermeiros, atendentes, nutricionistas, pessoal do corpo administrativo, enfim, todos que fazem parte dessa grande comunidade que é o hospital. São pessoas que também foram afetadas por um enrijecimento que, através dos anos, imobilizaram perspectivas, sentimentos e emoções. A humanização hospitalar é um trabalho fundamental e necessário. Todos são elementos-chave de uma rede que perde a sustentação se algum deles falhar.

Qual é a filosofia da Associação Viva e Deixe Viver? O que ela faz em prol da humanização hospitalar? O que faz a associação?logo_humanizacao

Com a missão de promover entretenimento, cultura e informação educacional, através do estímulo à leitura e do brincar, a Associação Viva e Deixe Viver visa transformar a internação hospitalar de crianças e adolescentes em um momento mais alegre e agradável, contribuindo positivamente para o bem estar de seus familiares e equipe multidisciplinar. A palavra de ordem atualmente, em termos de saúde, é humanizar. Esta é uma afirmação aparentemente paradoxal porque saúde subentende cuidados e tratamentos. E cuidados e tratamentos significam atenção e dedicação. O que se verifica em grande parte dos hospitais, porém, não é isso. A origem deste problema talvez seja até cultural, uma forma de o médico se proteger das perdas que enfrentará. É um enrijecimento que começa já na faculdade, quando aprende a afastar suas emoções, em nome da objetividade dos estudos: uma doença não é uma pessoa, não devemos gostar dela. Como defensores do processo da humanização hospitalar, sabemos que somos atores de grandes mudanças que estão a caminho. Todas elas se voltam para o resgate dos valores que se perderam ao longo do tempo: dignidade, respeito pelo outro, solidariedade, amizade, cooperação, paz, amor ao próximo e à vida. É disso que trata um hospital: a vida, em sua dimensão maior.

Entrevista original completa acesse: http://portaldovoluntario.org.br/blogs/46277/posts/397

Marcelo Mendonça

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