Casa do Palhaço

UMA VISITA ESPECIAL

Ao entrar naquele ambiente a primeira sensação que tive foi de paz, de acolhimento e aconchego, bem típico a casa da vovó, onde você chega é abraçado e tem todo carinho.

Um lugar antes nunca visitado por mim, as pessoas do Presente que já conhecia se misturaram naqueles rostos nunca vistos, mas sempre admirados, não é preciso conhecer para admirar um idoso, por que se ali chegou a de ser respeitado. Construiu seu caminho, uma história, vivenciou uma vida e cada um do seu jeito.

Muita ansiedade de primeiro momento e muita observação de segundo. O Presente é algo fantástico na vida daqueles seres humanos, sabem da nossa presença, conhece cada um, fazemos parte da família deles, eles esperam por nós e a recepção é muito calorosa, são abraços que não cabem nos braços.

Ao colocar o pé para fora da sala de preparação, como a observadora de palhaços nessa visita me deparei ao quarto deles, o que mais me chamou atenção naquele dia foi a placa “visitantes, não sentem nas camas”. É algo que todos lêem, cumpri o que é dito, mas e a mensagem que tem por trás dessa placa? Só conseguimos entender quando olhamos para cada cama daquelas “crianças” por que para mim parecia mais um quarto de orfanato do que de idosos, é  a única coisa que possuem em sua singularidade, é algo que merece ser respeitado, onde sonhos acontecem, onde os olhos repousam, onde o corpo descansa. Tantos brinquedos, fotos, lembranças e recordações, muito valor é depositado nesses objetos,  cada cama moldada do modo de quem habita, viveu e junto disso tudo uma mala imaginária ao lado da cama de cada um e que lá dentro guardam as maiores relíquias das suas vidas; suas histórias, seus momentos felizes. E assim que chegamos lá, com muita sutileza eles pegam essa mala e fazem questão de abri-lá e nos mostrar tudo que ali tem guardado e a única coisa que vamos fazer é ter o prazer de escutar, algo tão simples e tão difícil.

Fico aqui me imaginando  o que há por trás daquela senhora toda arrumada que adora ir ao shopping, ou aquele meu senhor japonês, que faz exercícios todos os dias e ainda lê um livro velho em japonês de trás para frente, e aquela senhora toda perfumada, e tem a de bengala para cima e para baixo que adora fazer um doce, o que há por trás de cada ser humano que ali está? O que eles carregam nas costas?

Foi bonito de ver a melodia de parabéns ao Sr. Roberto, a lágrima lhe vinha aos olhos ao ver um bocado de palhaços a cantar em uma só voz, mais um ano de vida. Ele só disse uma coisa “obrigado!”, não há mais o que dizer, estar ali é um momento único para aquelas pessoas que correm contra o tempo ou que simplesmente vai com ele.

Ao vê-los  lembrando do seu doce preferido, da sua música de época, dos seus filhos e netos, de quando eram jovens e felizes é um tapa na cara de muitas pessoas que desperdiçam esse tempo aqui. Então meus jovens vivam como eles viveram.

Ao me indagar isso, chorei, chorei pelo respeito, pela transparência de felicidade que mostram por ali estar, que por mais que seja um asilo, é o lugar deles, é a cama deles, é o canto deles, assim como nós temos o nosso.

Ao ver aqueles quartos azuis e rosas me lembrei da minha infância, meninas de um lado meninos do outro, a vida é um ciclo, onde no fim a gente volta para o começo, só que com um pouquinho mais de dor nas costas.

O que me resta por essas crianças é a admiração o respeito e levar o meu sorriso, mas ainda assim, me faltam palavras para dizer o que são os idosos ao meu ver, um dia eu também, você e os outros seremos  idosos. E  ai meu camarada? O que você faz por você hoje para se orgulhar amanhã? Para contar para quem te visitar, ou para seus netos, ou para qualquer pessoa que cruzar o seu caminho. Como tem vivido?

Com isso, eu paro e penso, já começo a guardar fotos, lembranças e brinquedos para que um dia eu possa enfeitar a minha cama também e quem sabe abrir minha maleta de memórias.

Juliana Praia

15 Comentários (+adicionar seu?)

  1. Diego Gonzaga - Dr. Leãozinho
    abr 28, 2010 @ 08:30:55

    Mais querida de todAs coordenadorAs do Avicena. A célula ESPETACULOSA.

    O que você tem feito e vivido tenho certeza que não será possível colocar em apenas um quarto de azilo. Nem em um azilo inteiro. Quando você morrer, se eu for prefeito, vou mudar o nome de algum viaduto, “Viaduto Grande Dra. JuJuBa”. E se eu não for um bom prefeito, nunca mais votem em mim.

    Responder

  2. Dra. MaLuK
    abr 28, 2010 @ 09:35:20

    Uauuu…. Juro que esse texto realmente me prendeu a atenção logo cedo…
    Levantei, tomei banho e peguei meu celular, e fui entrando no email. Enquanto a caixa de correio carregava (Ainda de toalha na cabeça e no corpo) fui me trocando..Aí entao vi o email da JuJuba falando do texto, e eu que adoro essas coisas abri pra ler…Quando comecei a ler, sentei no chão e juro que o texto me paralisou por minutos, o tempo que eu fiquei lendo, eu não ouvi nada a minha volta, e mergulhei dentro daquele mundo que foi escrito… Uau… juro que nao ouvia nem a minha respiração… Meu Deus que legal… AMEI… Veio mais do que do fundo do coração… veio da alma… To sem fôlego até agora… E tenho certeza… Com vcs é sempre essa sensação que eu vou ter….PERFEITOO!!!

    Responder

  3. Dr. Rosinha
    abr 28, 2010 @ 09:40:56

    Amo Muito Tudo Isso!!!

    Responder

  4. Fabiboca
    abr 28, 2010 @ 09:52:44

    Dra. Jujuba!!! Que lindo depoimento!!!!
    Agradeço ao papai do céu todos os dias por ter encontrado voce e toda a turminha do Presente de Alegria no meu caminho!

    E que Deus ilumine e abençoe sempre as criancinhas de cabelo branco, rosto enrrugadinho e olhinhos de jabuticaba de todos os cantinhos do mundo!

    Beijos!!!!!!!!!!!
    Dra. Fabiboca da Parafuseta <8o).

    Responder

  5. Dra. Libelula
    abr 28, 2010 @ 09:56:19

    Sem Palavras Jujuba….. assim como é trabalhar ao seu lado, é ler a sua mensagem…. simplesmente toca. Não dá pra explicar…..

    Responder

  6. Dra. Petit
    abr 28, 2010 @ 10:42:19

    Jujuba, que texto lindo!!!

    Minha primeira visita depois de “formada” no Presente foi no Bezerra e foi a coisa mais linda do mundo. Os “nossos” velhinhos têm muito a nos ensinar! A alegria em seus olhos e sorrisos, muitas vezes banguelas (rs), ao ver a palhaçada chegando é de matar a gente do coração! Cada um quer ser visto e ouvido… e é o maior prazer do mundo poder dar atenção a eles!

    Adoro minhas crianças, mas sinto muita saudade de visitar o Bezerra. Lá é um lugar muito especial.

    Ah. Liguei pro Xucrutix e li o texto pra ele e ele só faltou chorar, amou, achou lindo e teceu os maiores elogios.

    Parabéns pelo texto e por conseguir expressar em palavras o que a gente sente quando vai lá ♥

    Beijalhaços!

    Responder

  7. Pucca
    abr 28, 2010 @ 12:22:06

    Meu Deus, me arrepiei da cabeça aos pés, fui a uma viagem ao Bezerra de Menezes daqui da minha cadeira, não há no mundo preço que pague esses singelos momentos e esses magnificos depoimentos.
    Parabéns Jujuba!

    Responder

  8. Liminha
    abr 28, 2010 @ 15:02:39

    Parabénssssss Jujubinhaaaaaa

    Mto bom, parábens por exteriorizar a emoção e o amor que sentimos por aquelas crianças lindas, tenho um afeto mto grande pelo bezerra, pois foi minha primeira visita ainda como padrinho…..e senti um amor imenso por aquele ambiente por aquelas pessoas que ali residem q emanam amor, esperança, respeito e principalmente Humildade no coração!

    Jujuba adorei o texto, agradeça a Deus por ter esse dom!
    Bjosssssss
    te amuuu kbeçaaaaa
    fique Com Deus

    Responder

  9. Dra Fuxico
    abr 28, 2010 @ 17:02:25

    Caracoles…
    Nossa..só posso dizer uma coisa..parabéns Jujuba!!! Vc deixa em mim uma vontade imensa de conhecer esse mundo dos “velhinhos”.. Não tem tamanho o q eu eu sinto quando saio das visitas, assim como a minha vontade de fazer cada dia mais.. é vicio mesmo!!
    Voce esta no lugar certo, na hora certa! Tenho certeza q vc será orgulho para muita gente, e q a sua mala será pequena para tantas historias.
    bjo da Fabi – A dra. Fuxico

    Responder

  10. Dr. Lan House
    abr 28, 2010 @ 17:13:34

    ENVELHECER É UMA DÁDIVA

    Atualmente, é provável que, pela primeira vez em minha vida, sinta-me como a pessoa que sempre quis ser.

    Não, não me refiro ao meu corpo, diante do qual às vezes me desespero,frente às rugas, aos olhos empapuçados, ao traseiro flácido.

    E, com freqüência, volto ao passado, quando vislumbro aquele antigo vulto em meu espelho (que se assemelha à minha mãe !),mas estes sentimentos já não me fazem sofrer mais: são passageiros.
    Nunca trocaria os meus amigos incríveis, minha vida maravilhosa, minha família adorada, por cabelos menos grisalhos ou uma barriga menos proeminente.

    Conforme envelheci, tornei-me mais amável e menos crítico comigo mesmo.
    Tornei-me o meu melhor amigo.

    Não me recrimino por ter saboreado aquele docinho a mais, por não ter feito a minha cama, ao acordar, ou por ter comprado aquele enfeite tolo que não precisava, mas que dá um toque de modernidade ao meu jardim.

    A minha idade me permite ser excêntrico, a manter tudo fora de ordem, posso ser extravagante.

    Testemunhei a partida precoce deste mundo de muitos amigos queridos ; e eles não puderam vivenciar plenamente a liberdade grandiosa implícita no envelhecer.

    Qual é o problema, se eu decidir ler ou ficar ao computador até as quatro da manhã, e acordar somente ao meio-dia ?

    Serei meu próprio parceiro na dança, ao ritmo dos sucessos inesquecíveis dos anos 60 e 70, e se, ao mesmo tempo, quiser chorar por um amor perdido…
    posso fazê-lo

    Caminharei pela praia com um traje de banho colado ao meu corpo obeso, e mergulharei no mar despreocupadamente, se assim desejar, apesar dos olhares críticos das pessoas mais jovens.
    Elas também vão envelhecer.

    Sei que algumas vezes me esqueço de algumas coisas.
    No entanto repito: é melhor que nos esqueçamos de alguns episódios da vida.
    Algumas vezes, recordo-me de coisas importantes.

    Com o passar dos anos, é claro, também sofri desilusões. Como não sentir a perda de uma pessoa amada, ou manter-se indiferente diante do sofrimento de uma criança, ou até mesmo quando o bichinho de estimação de alguém é atropelado
    por um carro ?

    Na verdade, ter o coração ferido, é o que nos dá força, discernimento e compaixão.
    Um coração que nunca foi ferido, é duro, estéril, nunca sentirá a alegria da imperfeição.

    Sou, portanto, abençoado por ter vivido tanto, o que me permitiu ver meus cabelos grisalhos, e ter as marcas de minha juventude, para sempre gravadas nas profundas rugas de meu rosto. Muitos nunca riram, outros morreram antes de terem seus cabelos grisalhos.

    Conforme envelhecemos, é mais fácil sermos otimistas.
    Nos preocupamos menos com o que pensam as outras pessoas.
    Não nos policiamos mais.
    Temos, até mesmo, o direito de estar errados.

    Portanto, gosto de ser idoso.
    Isto me libertou.
    Gosto da pessoa na qual me tornei.

    Não vou viver para sempre, mas enquanto ainda estiver por aqui, não desperdiçarei tempo lamentando o que poderia ter sido, nem me preocupando com o futuro. Posso agora comer todas as sobremesas que quiser, todos os dias (se estiver com vontade).

    Autor desconhecido

    Responder

  11. Dr. Bacana
    abr 28, 2010 @ 21:28:35

    Olha…
    Só alguém com a sensibilidade pura e radiante como nossa amada Dra. Jujuba para nos apegar aos detalhes que mudam totalmente o foco de amplos olhares.

    Te amo Ju!

    Só fica velho quem quer… Serei um jovem de 99 anos! Depois disso penso se quero envelhecer!

    É O PRESENTE DE ALEGRIA – LÁ LÁ LÁ

    Responder

  12. Dra Orelhinha..
    abr 28, 2010 @ 22:25:32

    Jujuba querida..
    amo vc..
    Texto lindo, mensagem linda, alma linda…
    Obrigada

    Responder

  13. Dr Goiabinha
    abr 28, 2010 @ 23:37:56

    Caraca menina, comentar o que???
    soh posso agradecer por estar sempre ao meu lado
    bjs e obrigado por esse grande sentimento

    Responder

  14. Dra Bananinha
    maio 03, 2010 @ 23:13:37

    …mto legal!!
    Q lindas sensações e observações do Bezerra, JUJUBA!
    PARABÉNS!!
    Tb quero ter uma mala bem gde de “relíquias” e ter mtas histórias e
    recordações para contar com cada uma delas…
    Ahh…claro que tem que ter mta gente querida pra ouvir, né…rsrs?!
    Por isso, se eu não estiver em casa, com minha família e amigos, tomará que
    no lugar onde eu estiver, apareçam mtos PALHAÇINHOS e PALHAÇINHAS pra me
    PRESENTEAR…hehehehe!
    Ahhh… com certeza, uma das minhas preciosas relíquias será meu nariz de bananinha… com ele virão as lembranças dos incríveis momentos que cada visita me proporcionou…
    Bjs!!!

    Responder

  15. Dra. Pantufa (Maristela)
    maio 04, 2010 @ 00:17:41

    Dra. Jujuba,

    Quando a gente lê comentários como o seu sobre o Bezerra, nos faz pensar sobre a nossa própria “mala”, eu por exemplo, vou levar este “presente”, que é fazer parte da nossa Ong Presente de Alegria, pois nós é que recebemos este amor como um presente!!!

    bjssss

    amo demais tudo isso!
    Dra Pantufa

    Responder

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