Tercalhaça

UM RESUMO DO MUNDO CLOWN

Na história do circo, o ator antes de se tornar um clown, sempre foi um virtuose das acrobacias. O tempo e a idade foram agindo sobre ele [como sobre qualquer outro humano]. Não podendo mais realizar os seus números acrobáticos, ensinava-os a um jovem, que o substituiria, e ele [o clown] então surgiria. Assim, os clowns, geralmente eram atores com idade avançada, que já possuíam certo grau de experiência e domínio do jogo sobre/com a platéia.

Geralmente o clown usa no rosto um nariz falso e avermelhado, nariz este, que é considerado a menor máscara do mundo. Ele sabe realizar seus fracassos com talento. Entrega-se puro e sem defesas para aqueles que o observam. A “chave” do clown está naquilo que ele não sabe fazer, onde ele é fraco. É preciso aceitar-se e mostrar-se tal como se é. Uma criança que cresceu e que o senso comum não permite desvelar. A cena e o público são mestres implacáveis!

O gatilho na descoberta do seu próprio clown está no corpo, e emerge quando surge o “riso do corpo”, onde a graça é orgânica. Mas vale questionar-se constantemente: A graça foi criada neste corpo ou ela já estava ali, em algum canto escuro?

 No entanto, para que todos estes elementos apareçam, é preciso estar desbloqueado/desarmado e simplesmente se permitir “estar”.

 Em um dos inúmeros textos que o filósofo Rousseau¹ escreveu, quero utilizar três frases² e fazer uma comparação com o clown.

 1. “Até os 12 anos o ser humano é praticamente só sentidos, emoções e corpo físico, enquanto a razão ainda se forma”.

 2. “A instrução das crianças é um ofício em que é necessário saber perder tempo, a fim de ganhá-lo”.

 3. “Que a criança corra, se divirta, caia cem vezes por dia, tanto melhor, aprenderá mais cedo a se levantar”.

 

Fazendo um paralelo da criança que Rousseau menciona, com o processo de construção de um clown, eu reescrevo as frases:

1. O clown, com sua ingenuidade, é praticamente sentidos, emoções e corpo físico, e sua razão, quando existe, é constantemente posta à prova pelas situações que enfrenta no seu cotidiano.

2. Na construção do ofício de clown é preciso saber perder tempo, a fim de ganhar experiência vivida, para perdê-lo posteriormente com a platéia.

3. Que o clown corra, se divirta, caia cem vezes em cena, tanto melhor, aprenderá mais cedo a se levantar diante da platéia.

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